quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A "menina Jesusa"

O nosso primeiro Natal foi movimentado, mais ainda do que quando estávamos fora. Como emigrantes, temos obrigatoriamente de fazer muitos quilómetros, malas, gastar algum dinheiro, ficar a dormir na casa deste familiar ou daquele, marcar férias e, principalmente, fazer uma ginástica impressionante para poder estar com toda a gente em muito pouco tempo. Conforta mas cansa. Temos, felizmente, uma família grande e há que visitar o pessoal todo. Mesmo antes da bebé nascer os familiares já "competiam" por mais tempo passado connosco em épocas festivas. É bom sinal, sentimo-nos "desejados".

Com a bebé, a confusão é ao quadrado, mesmo já vivendo em Portugal - e no Norte! Cadeirinha, alcofa, mantas, fraldas, biberões, carrinho de passeio, programar a saída de casa para depois da mamada, roupas, prendas e o nosso pequenino Clio. Lá vai o Clio cheio a abarrotar - e as pessoas olham e devem pensar: "Coitados, vivem no carro com a filha... é a crise!"

Ao entrar nesta e naquela casa de familiares, entre Porto, Gaia e Braga, os olhos do pessoal vão a toda a velocidade poisar na "menina Jesusa", adorar a menina: "Oooohhh tão fofinha, que linda, não teve frio? Oooláááááá bebééééé, ooooláááá pequenina!..." E nós, os pais, a tentar aliviar o peso do babycoque, prendas, sacos de bebé, malas com roupas, etc., de casacos e gorros, à porta, sem nos podermos mexer, com licença, deixem passar, eu já tiro a cachopa daqui para verem melhor, mas nada, um apinhado de gente reúne-se à nossa volta com os olhos fixos na bebé que, ou dorme ferrada, ou olha para todos com um ar desconfiado :-)

Atenção: não me estou propriamente a queixar, eu adoro estas cenas e adorações. Afinal de contas, é a minha filhota o centro das atenções. Até vir o próximo bebé, é ela a petiz mais observada e fotografada por estes lados. E eu babada.



Chegada a altura das prendas, dou por mim a abrir embrulhos com bonecada, muito "pinks", com chupa-chupas colados. Só para pendurar no berço teve 7 coisas diferentes, entre espanta-espíritos e projectores de luz. Admito que fui a culpada porque adoro um berço cheio de côr e musiquinhas de embalar automáticas, luzinhas de presença e afins. Depois os bonequinhos - 1, 2, 3, 4, 5, 6... ui. E ainda nem fez 2 meses. Nem quero imaginar aos 3 anos. Lembro-me de entrar no quarto da minha sobrinha (5 anos) ou da filha de uma colega (6 anos) e ficar chocada com a quantidade de brinquedos que pareciam brotar do chão, das prateleiras, caixas, debaixo da cama, atrás da porta, na sala espalhados... Já não digo "desta papa não comerei". Parece-me, depois deste Natal, que a Francisca vai ter mais brinquedos do que eu e o meu irmão juntos alguma vez tivemos. E, para piorar o cenário (ou melhorar) a moça ainda vai herdar os meus 2 Nenucos, conservados em muito bom estado desde 1986, assim como as minhas 7 Barbies, a casinha de bonecas, alguns peluches, alguns jogos, muitos livros. Pensei vender os Nenucos e as Barbies na internet, há leilões online de coleccionadores dedicados que chegam a pagar 100 € por um Nenuco de 1985, mesmo já sem vestimentas.

A Francisca portou-se muito bem mesmo saltando de casa em casa, de colo em colo. Fiquei orgulhosa. Posso dizer, para já, que a minha bebé não é chorona. Só chora por razões de peso: fome, sono ou quando lhe pomos o gorro na carequinha :-)