domingo, 14 de novembro de 2010

Medo de ter medo

Até ao momento ainda não experimentei aquela sensação de medo, ansiedade ou nervoso miudinho próprios de quem vai ser mãe pela primeira vez, a qualquer momento... Uma primigesta não costuma passar das 39 semanas e falta exactamente uma semana para eu cumprir as 39.

Como me sinto? Não sei bem. Estou mais sensível mas meia distraída, com a cabeça na lua. Parece que estive grávida toda a vida e só quando me dá uma cãibra ou quando me custa a baixar é que me lembro que estou mesmo grávida, na última fase da gestação. Já passei a fase de lavar e passar roupinhas (acho que tenho tudo prontinho...) e já fiz a mala da maternidade e o saco para a sala de partos.

A minha barriga não parece muito grande e, embora tenha engordado 15 kilos, não me vejo propriamente gorda. Começo a notar, lentamente, que as minhas feições estão alargadas, estou mais "bochechuda" e acordo com as mãos bastante sapudas e sem energia. Doem-me ligeiramente as articulações dos dedos e principalmente dos joelhos... Sinto a bebé a mexer-se, mas não tanto como antes. Sinto os soluços dela bem "lá em baixo" :-) Sinto os "arranhões" internos dela. Lima as unhitas na parede do meu útero, só pode.

Falo bastante com a bebé, dou-lhe "palmadinhas" no rabito quando o sinto espetado quase em cima das costelas. Tenho um apetite voraz e já desisti de tentar resistir ao chocolate. Não sou uma grávida muito disciplinada mas gosto de fazer os meus exercícios da bacia, do períneo, a respiração... Tenho receio de me esquecer de todos os truques que aprendi nas aulas de preparação para o parto quando chegar a hora H.

Ainda não me parece que vá nascer. Não sei, parece que ainda vai demorar, não sinto que quer nascer já, não me sinto preparada nem a sinto preparada. Ainda nem sequer encaixou, a malandra!
Toda a gente me pergunta: "Já deves estar ansiosa que nasça, não é? Farta de estar grávida e ansiosa por vê-la." Mmmm, nem por isso. Estou tranquila, acho eu. Estou neutra... é possível? Feliz porque ela vem aí e já tenho tudo prontinho no quartinho dela, feliz porque o pai está aqui ao meu lado e juntos fazemos o "ninho", feliz porque vou ser mãe mas como é que ainda me parece uma coisa tão longínqua quando falta tão pouco? Estou alerta mas cada dia me vou deitar a pensar ainda não foi hoje, não acho que seja amanhã.

Quando quiseres bebé!

(Foto: a minha barriga com 35 semanas de gestação. Tirada pelo meu irmão Nuno)

O plano de parto

Não parece ser possível "planear" o parto. Em princípio não sabemos o que vai acontecer, se vai haver dilatação suficiente, se o bebé vai estar na posição que deve, se, se e se... Mas mesmo que o hospital ainda não seja muito receptivo ao nosso plano, ao parto completamente humanizado e monitorizado pela mãe, eu escrivinhei um.

Ainda se trata de um rascunho, terei de o mostrar à enfermeira das aulas de preparação para o parto, ao médico... Para ficarem a saber do que se trata (quem ainda não souber), cá vai um link:


E cá vai o meu "rascunho":

Plano de parto
Nome: Joana Cristina Serro Ferreira
Data prevista para o parto: 27.11.2010
Médico assistente: Dr. José Matos Cruz

Braga, 14 de Novembro de 2010

Exmos. Profissionais de Saúde do Serviço de Obstetrícia do Hospital de Braga:

Dirijo-me a vós, dada a aproximação de um grande e feliz acontecimento para mim e para o meu marido: o nascimento da nossa filha.
Fizemos o curso de Preparação para o Parto e para a Parentalidade e estamos informados das várias orientações da OMS para o parto, bem como dos estudos científicos que suportam as mesmas.
Conhecendo o bom desempenho dos profissionais do Hospital de Braga, da sua capacidade técnica e do esforço e empenho para um serviço de excelência e principalmente cada vez mais humanizado, venho com total consciência dos meus actos, solicitar-vos as seguintes condições para o meu parto (ver lista abaixo detalhada).

Estou certa de que um parto nestas condições será para mim e para o meu marido um parto bem humanizado, que promoverá o nosso bem-estar físico e emocional, sem descurar a segurança que deve envolver o nascimento da minha filha.

Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas.
Muito obrigado.


Atenciosamente,

1.    Questões de admissão
1.1.        Gostaria que me realizassem tricotomia parcial na admissão (se eu não a tiver feito previamente).


2.    Presenças na sala de parto
2.1.        Gostaria que o meu marido estivesse sempre comigo.  
2.2.        Não me oponho a que estejam estudantes presentes.
2.3.        Gostaria que não estivessem pessoas constantemente a entrar e a sair da sala de parto.


3.    Dor
3.1.        Gostaria de receber a epidural assim que possível.


4.    Trabalho de parto
4.1.        Gostaria de poder beber líquidos (água ou chá).
4.2.        Gostaria de ter liberdade de movimentos durante o trabalho de parto (ter possibilidade de deambulação, independentemente da sala de partos vaga para o efeito). Sou um pouco claustrofóbica e, com o calor que se faz sentir na maternidade, gostaria de poder ir “respirar” à janela sempre que sentir necessidade. Esta é uma das minhas principais preocupações: sentir que não me falta o ar.

4.3.        Gostaria que não me rompessem artificialmente as membranas, se o bebé estiver bem.

4.4.        Gostaria de ser informada das razões para os profissionais de saúde sugerirem (se necessário):
§  Indução do trabalho de parto
§  Ruptura artificial de membranas
§  Algaliação
§  Administração de ocitocina
§  Fórceps/ventosa
§  Episiotomia
§  Cesariana
4.5.        Gostaria de escolher a posição para parir, sempre que não haja risco para mim e para o bebé.  
4.6.        Não vou tolerar que a minha barriga seja empurrada para baixo.
4.7.        Gostaria de circunscrever ao mínimo o número de exames vaginais (toques).  
4.8.        Episiotomia: só se for realmente necessário. Não gostaria que fosse uma intervenção de rotina.


5.    Pós-parto
5.1.        Gostaria que o cordão umbilical fosse laqueado depois de pulsar até ao fim e posteriormente fosse efectuada a recolha de sangue para a empresa pública Lusocord (levarei o respectivo KIT para a sala de partos).
5.2.        Gostaria que fosse o meu marido (o pai) a cortar cordão umbilical.
5.3.        Gostaria que o bebé fosse posto no meu colo imediatamente após o nascimento (depois do corte do cordão).
5.4.        Gostaria que os exames ao bebé fossem realizados na minha presença ou, se eu não estiver em condições, na presença do pai.  
5.5.        Gostaria de aguardar a expulsão espontânea da placenta, sem manobras, tracção ou massagens.
5.6.        Gostaria que fosse o meu marido (o pai) a vestir o bebé.
5.7.        Gostaria de dar de mamar na primeira hora a seguir ao parto.
5.8.        Não desejo ver a minha placenta.
5.9.        Gostaria que não oferecessem suplemento ao bebé sem o meu consentimento.



6.    Em caso de cesariana
6.1.        Gostaria que estivesse presente o meu marido, que é profissional de saúde (médico veterinário).
6.2.        Gostaria de ter as mãos livres para poder segurar no meu bebé imediatamente após o nascimento.


7.    Durante a minha estadia no serviço de puerpério gostaria de:

§  Amamentar o meu bebé
§  Ter sempre o meu bebé comigo
§  Ser informada de todos os exames e procedimentos a realizar ao bebé
§  Estar presente em todos os procedimentos a realizar ao bebé
§  Ser eu ou o pai a dar o 1º banho, sob supervisão da enfermeira

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um casamento dá trabalho?

Inspirada pelo texto do Miguel Esteves Cardoso (MEC), http://www.publico.pt/Sociedade/cronica-um-segredo-de-um-casamento-feliz_1462647?all=1, que desde já recomendo, vi-me obrigada a fazer uma pequena anotação (algo que já tinha escrito num blog há algum tempo atrás com outras palavras...):
- toda a gente diz que "cultivar", "manter" uma relação dá trabalho, exige "rega" diária, bláblá. Citando MEC: "Os livros que li dão a ideia de que os casamentos felizes dão muito trabalho. Mas se dão muito trabalho como é que podem ser felizes? Os livros que li vêem o casamento como uma relação entre duas pessoas em que ambas transigem e transaccionam para continuarem juntas sem serem infelizes. Que grande chatice!".
Realmente, que coisa chata o casamento se fôr assim!

Citando o meu marido: "amar alguém é viver com os seus defeitos". Eu acho que é ao contrário. Amar alguém é viver com as suas qualidades, mimos, palavras, cheiros, toques. E não deve dar trabalho! Aliás, deve parecer que dá trabalho para as pessoas que "observam" a relação de fora, mas esse "trabalho" ou dedicação não deve pesar para nós, que o fazemos por vezes sem pensar. E que espécie de trabalho é este? Planear? No meu caso só vejo este tipo de trabalho. Planear o nosso dia-a-dia de forma que o outro encaixe sempre, se sinta bem com os nossos planos, mais ou menos determinados por um emprego ou por outras obrigações. Adaptar-se ao ritmo dele/a. Será isto o que dá trabalho? Porque "aturar" a criatura quando está mal-disposta ou quando estamos sem disposição não é uma coisa que dê trabalho, creio. Faz parte e é "tão natural como a sua sede", hehe. As pessoas não estão sempre bem-dispostas nem cheias de paixão, mau era! Aí sim o casamento era uma chatice.
Não deve dar trabalho arranjar um tempinho ou planear um jantarzinho ou um fim-de-semana ou um presente... ou mesmo uma simples partilha de um momento qualquer no sofá. Se der trabalho, é mau sinal, não é?