Pais interessados que se prezem passam horas a escolher um carrito para o transporte da criaturinha que não tarda nada faz "pop" como uma pipoquinha. Se não tiverem a sorte de herdar um modelo homologado, claro.
Falta um mesito. Portanto tivémos de percorrer as lojas.
Experimentámos muitos. Os baratinhos pareceram-nos fracos, os maiores demasiado grandes ou pesados, aos trios não vimos utilidade na alcofa, aos todo-o-terreno achamos piada mas as rodas eram enormes e não vamos propriamente andar com a bebé a fazer rallies, os práticos de marcas boas e preços bons não eram compatíveis com babycoques com sistema isofix ... Como já tínhamos escolhido o babycoque, o mais seguro do mercado, fomos "forçados" a escolher um chassis/ carrinho onde o tal babycoque encaixásse. Havia surpreendentemente poucos. Um dos modelos era tão perto do chão que a criança podia apanhar beatas sem eu ver ou podia levar uma lambidela (ou pior) dum cão de tamanho superior sem eu ter tempo de dizer "xô".
Havia outro modelo porreiro mas tinha de se levar outro babycoque e uma alcofa... coisas a mais. Outro cujos travões eram alvos de críticas na net. Enfim... depois de muito pôr o pé e a mão, montar e desmontar, decidimo-nos pelo Eléa da Bebeconfort. Tudo de bom menos o peso: 13 Kg. Não é que o vá carregar às costas e de certeza que se tiver de ir em transportes públicos vou andar com a princesa num marsúpio ou babysling. Cabe no elevador e na mala do carro, uf, menos mal.
Esta compra é tão importante como a compra de um carro para nós, ou mais! Não há espaço para arrependimento.
Acabei de ler na net que a cadeira tem uma largura pequena, e se a criança tiver um rabinho gordinho?
Tarde demais. Cara filhota, vais ter um carrito todo ergonómico, fôfo, reclinável, compacto, colorido, com rodas que giram 360º.. Série de luxo! Agradece ao avô Francisco ;-)
"Joaneologismo" e "private word" para um amor que de dueto crescido se multiplica em trio afinado a choro de recém-nascido. A aventura de ser mãe pela primeira vez. A aventura da vida. A minha aventura. Aqui semi-contada para memória.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Vou fazer uma tatuagem na cara
Mais do que as cenas ou emoções do filme "Eat Pray Love" que vi ontem (finalmente!), ficaram a zumbir na minha cabeça algumas frases. Eu "é mais frases" :-)
Se fosse a escolher momentos do filme, haveria demasiados: o do encontro com o elefante, o da dança nupcial indiana, os vários momentos dedicados à culinária, principalmente aos pratos italianos (fiquei cá com um apetite!), o momento da despedida pai-filho...
Aqui estão as frases que mais gostei (autora, Elizabeth Gilbert, penso eu), em inglês. Às vezes, traduzir acaba um pouco com o encanto de algumas frases/ palavras.
"To lose balance sometimes for love is part of living a balanced life."
"Having a baby is like getting a tattoo on your face. You really need to be certain it's what you want before you commit."
"We must get our hearts broken sometimes. This is a good sign, having a broken heart. It means we have tried for something."
"We must take care of our families where-ever we find them."
"We don't realize that, somewhere within us all, there does exist a supreme self who is eternally at peace."
"Parla Come Mangi' --It is a common way to say 'be simple', 'don't try to be rhetorical' literaly: 'speak the way you eat"
Ah... e um filho não se apaga a laser como uma tatuagem.
Se fosse a escolher momentos do filme, haveria demasiados: o do encontro com o elefante, o da dança nupcial indiana, os vários momentos dedicados à culinária, principalmente aos pratos italianos (fiquei cá com um apetite!), o momento da despedida pai-filho...
Aqui estão as frases que mais gostei (autora, Elizabeth Gilbert, penso eu), em inglês. Às vezes, traduzir acaba um pouco com o encanto de algumas frases/ palavras.
"To lose balance sometimes for love is part of living a balanced life."
"Having a baby is like getting a tattoo on your face. You really need to be certain it's what you want before you commit."
"We must get our hearts broken sometimes. This is a good sign, having a broken heart. It means we have tried for something."
"We must take care of our families where-ever we find them."
"We don't realize that, somewhere within us all, there does exist a supreme self who is eternally at peace."
"Parla Come Mangi' --It is a common way to say 'be simple', 'don't try to be rhetorical' literaly: 'speak the way you eat"
Adoro a frase da tatuagem na cara. Não digo que nunca faria uma tatuagem na cara, até porque sou fã de tatuagens e estou desejosa de fazer uma terceira (nas costas) assim que a minha filha nasça e o meu corpo volte ao "normal". No entanto, não é coisa que deseje fazer, tatuar a cara.
Acho que esta frase resume bem ao que, hoje em dia, se compromete uma mãe (mais do que um pai, os pais que me desculpem) ao decidir ter um filho: é preciso um compromisso eterno por dentro e por fora, comprometer corpo, cabeça e coração, estar disposta a nunca mais ser a mesma nem nunca mais ter este ou aquele estilo de vida e entregar-nos a este destino e ao mundo de forma inteira, sem medo. Mais: eu creio que é necessário amar-se os nossos filhos mesmo antes de os conceber, imaginá-los na nossa vida, encaixá-los no nosso dia-a-dia. Como eu e o meu marido costumamos dizer, já temos saudades da nossa filha mesmo antes de ela nascer!
Acho que esta frase resume bem ao que, hoje em dia, se compromete uma mãe (mais do que um pai, os pais que me desculpem) ao decidir ter um filho: é preciso um compromisso eterno por dentro e por fora, comprometer corpo, cabeça e coração, estar disposta a nunca mais ser a mesma nem nunca mais ter este ou aquele estilo de vida e entregar-nos a este destino e ao mundo de forma inteira, sem medo. Mais: eu creio que é necessário amar-se os nossos filhos mesmo antes de os conceber, imaginá-los na nossa vida, encaixá-los no nosso dia-a-dia. Como eu e o meu marido costumamos dizer, já temos saudades da nossa filha mesmo antes de ela nascer!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Recortes
Quem me conhece (mesmo que me conheça superficialmente) sabe que o meu vício são... revistas femininas. Quase todas: Máxima, Glamour (Espanha. França, USA e Reino Unido), Clara (Espanha), Marie Claire (Espanha, França), Activa, Cosmopolitan (de vez em quando... para desanuviar), Easyliving (Reino Unido) e O, the Oprah Magazine (USA). Leio outras, mas estas são as favoritas. Sim, gasto bastante dinheiro com estas revistas e, em tempos de austeridade, elegi a Glamour de Espanha e a Activa como companhias certas, assim com a recém-entrada no "lote", por razões óbvias, Pais & Filhos.
Há muitos dados, muitas curiosidades, frases, emoções, nomes, impressões que ficam na memória. Fica muito pouco do texto em comparação com as imagens, com as fotos. Por descargo de consciência, de vez em quando pego num molhe de revistas e, em vez de as condenar à reciclagem, faço recortes. Recorto imagens ou textos mais marcantes (menos da minha colecção da Glamour espanhola, que guardo fielmente e que um dia destes vou vender nalguma página net de coleccionadores e ganhar uma pipa de massa, hopefully!).
Outro dia fiz recortes da Máxima e da revista Notícias Sábado (do JN). Há dois textos que merecem menção no meu blog.
Um deles é um editorial da Laura Torres (acho que é este o nome mas a assinatura é um pouco difícil de decifrar), editora da revista Máxima. Escreveu sobre a "mulher ganha-pão". Antigamente, a mulher consumia-se pelo marido, casa, filhos. Agora consome-se primeiro pelo trabalho, depois vem algum homem, marido ou não, casa e filhos, se tiver. E atenção ao dado: na Grã-Bretanha, um estudo do jornal The Sunday Times concluiu que 44% das mulheres que trabalham são "breadwinner wives" dado que ganham pelo menos a mesma quantia que os maridos/ companheiros. E, atenção, 19% leva para casa mais dinheiro do que eles! A notícia podem lê-la melhor neste link: http://women.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/women/article7009727.ece
E nos EUA (dados de 2007) 22% dos maridos tinham salários mais baixos que as respectivas!
E em Portugal? No link http://www.pordata.pt/azap_runtime/?n=4 podemos ter uma imagem do que se passa por cá, mas só em termos de ganhos médios por sexo e de 2008.
Não concordo com o que diz a Laura, que neste país a mulher que ganha mais está "tramada" devido ao orgulho machista, que insiste em pagar para mandar. Aliás, já não vejo exemplos desses nem na minha família nem nos meus amigos mais próximos, pelo contrário. Ela, em média, termina o curso mais cedo. O que significa que começa a carreira mais cedo. Os homens parecem mais relaxados sabendo que a mulher ganha tanto ou mais que eles. Não os afecta minimamente e, no que diz respeito ao orgulho de macho, parece que agora a moda é: "pois, a minha namorada é que está bem e ganha x, 'ganda' mulher, quer uma carteira, vai lá e compra, não anda a pedinchar", ou "a minha filha está muito bem na empresa, o chefe está sempre a dar-lhe incentivos, outro dia comprou um carrinho todo jeitoso, bla bla", ou "a minha mulher traz para casa mais que eu e ainda bem pá, de qualquer forma era ela quem fazia a gestão da guita pá!".
O outro "recorte" que fiz foi de um artigo de opinião do Joel Neto, na revista Noticias Sábado, do JN.
O artigo intitula-se "Está tudo errado connosco" e confesso que me fez humedecer os olhinhos. Podem ler o artigo em http://www.joelneto.com/24559.html. É sobre a iminência de um divórcio e as exigências que uma mulher faz ao seu futuro ex-marido sem esperança que ele ceda. O homem tem saudades, dá-lhe um aperto no peito cada vez que leva a filha a casa depois de partilhar um fim-de-semana com ela. Por ele, as coisas tinham continuado como estavam mas a mulher já não sentia emoção. Nem ele, mas não era coisa com que se importásse muito. A vida corria tranquila, o sossego e ter companhia ao chegar a casa bastava-lhe. Mas a mulher queria acção, romance, loucura, arrebato, queria que ele não trabalhásse tanto, queria desejo. E ele só queria estar tranquilo e ter com quem dormir abraçado até de manhã. Não chegava. E não chega!
Não creio que se trate de mote de revolução sexual por parte da mulher. Trata-se de pele com pele, toque, calor. Não acredito que ela quisesse arrebato e loucura todos os dias, com certeza fartava-se. Só estava com um pouco de saudades e talvez quisesse sentir-se desejada, simplesmente, de vez em quando. Mas o simples tornou-se complicado para este casal.
Há muitos casais assim, é típico! Um dos membros do casal não consegue fazer um esforcinho para dar mais "pica" à relação estagnada, perante o desespero do outro membro que exige continuamente provas, que exige a emoção do início da relação. Um dos membros do casal fica a sonhar com o nervoso miudinho dos princípios do romance, o coração acelerado, a paixão bruta. E a relação esfria e vai morrendo, sem que nenhum dos dois ceda. Um deles podia estar mais atento, dar mais de si, OUVIR mais o outro, surpreender o outro. E o outro podia valorizar mais o que tem e procurar dar "pica " à relação através de métodos subtis, sem exigências e lamentos, viver mais intensamente os momentos bons. Ser um casal feliz dá muito trabalho! Mais do que alguma vez imaginei quando comecei a namorar, me casei. No início é tudo seda esvoaçante sob veludo intenso, nem se sente frio nem calor, nada importa, só sentir o outro. Mas mesmo depois de anos é tão bom! Ter uma mãozinha para apertar na rua, mesmo que o facto de dar a mão já não nos provoque aqueles arrepios pelo toque, como no início, dá-nos segurança. Está nas nossas mãos. Todos nos aborrecemos facilmente, não só as mulheres como no anúncio do novo axe twist. Vivamos combatendo esta debilidade humana, sem deixar esta luta só nas mãos das mulheres, como é tendência dos homens. Já sei que somos mais perspicazes, mas não é desculpa.
Há muitos dados, muitas curiosidades, frases, emoções, nomes, impressões que ficam na memória. Fica muito pouco do texto em comparação com as imagens, com as fotos. Por descargo de consciência, de vez em quando pego num molhe de revistas e, em vez de as condenar à reciclagem, faço recortes. Recorto imagens ou textos mais marcantes (menos da minha colecção da Glamour espanhola, que guardo fielmente e que um dia destes vou vender nalguma página net de coleccionadores e ganhar uma pipa de massa, hopefully!).
Outro dia fiz recortes da Máxima e da revista Notícias Sábado (do JN). Há dois textos que merecem menção no meu blog.
Um deles é um editorial da Laura Torres (acho que é este o nome mas a assinatura é um pouco difícil de decifrar), editora da revista Máxima. Escreveu sobre a "mulher ganha-pão". Antigamente, a mulher consumia-se pelo marido, casa, filhos. Agora consome-se primeiro pelo trabalho, depois vem algum homem, marido ou não, casa e filhos, se tiver. E atenção ao dado: na Grã-Bretanha, um estudo do jornal The Sunday Times concluiu que 44% das mulheres que trabalham são "breadwinner wives" dado que ganham pelo menos a mesma quantia que os maridos/ companheiros. E, atenção, 19% leva para casa mais dinheiro do que eles! A notícia podem lê-la melhor neste link: http://women.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/women/article7009727.ece
E nos EUA (dados de 2007) 22% dos maridos tinham salários mais baixos que as respectivas!
E em Portugal? No link http://www.pordata.pt/azap_runtime/?n=4 podemos ter uma imagem do que se passa por cá, mas só em termos de ganhos médios por sexo e de 2008.
Não concordo com o que diz a Laura, que neste país a mulher que ganha mais está "tramada" devido ao orgulho machista, que insiste em pagar para mandar. Aliás, já não vejo exemplos desses nem na minha família nem nos meus amigos mais próximos, pelo contrário. Ela, em média, termina o curso mais cedo. O que significa que começa a carreira mais cedo. Os homens parecem mais relaxados sabendo que a mulher ganha tanto ou mais que eles. Não os afecta minimamente e, no que diz respeito ao orgulho de macho, parece que agora a moda é: "pois, a minha namorada é que está bem e ganha x, 'ganda' mulher, quer uma carteira, vai lá e compra, não anda a pedinchar", ou "a minha filha está muito bem na empresa, o chefe está sempre a dar-lhe incentivos, outro dia comprou um carrinho todo jeitoso, bla bla", ou "a minha mulher traz para casa mais que eu e ainda bem pá, de qualquer forma era ela quem fazia a gestão da guita pá!".
O outro "recorte" que fiz foi de um artigo de opinião do Joel Neto, na revista Noticias Sábado, do JN.
O artigo intitula-se "Está tudo errado connosco" e confesso que me fez humedecer os olhinhos. Podem ler o artigo em http://www.joelneto.com/24559.html. É sobre a iminência de um divórcio e as exigências que uma mulher faz ao seu futuro ex-marido sem esperança que ele ceda. O homem tem saudades, dá-lhe um aperto no peito cada vez que leva a filha a casa depois de partilhar um fim-de-semana com ela. Por ele, as coisas tinham continuado como estavam mas a mulher já não sentia emoção. Nem ele, mas não era coisa com que se importásse muito. A vida corria tranquila, o sossego e ter companhia ao chegar a casa bastava-lhe. Mas a mulher queria acção, romance, loucura, arrebato, queria que ele não trabalhásse tanto, queria desejo. E ele só queria estar tranquilo e ter com quem dormir abraçado até de manhã. Não chegava. E não chega!
Não creio que se trate de mote de revolução sexual por parte da mulher. Trata-se de pele com pele, toque, calor. Não acredito que ela quisesse arrebato e loucura todos os dias, com certeza fartava-se. Só estava com um pouco de saudades e talvez quisesse sentir-se desejada, simplesmente, de vez em quando. Mas o simples tornou-se complicado para este casal.
Há muitos casais assim, é típico! Um dos membros do casal não consegue fazer um esforcinho para dar mais "pica" à relação estagnada, perante o desespero do outro membro que exige continuamente provas, que exige a emoção do início da relação. Um dos membros do casal fica a sonhar com o nervoso miudinho dos princípios do romance, o coração acelerado, a paixão bruta. E a relação esfria e vai morrendo, sem que nenhum dos dois ceda. Um deles podia estar mais atento, dar mais de si, OUVIR mais o outro, surpreender o outro. E o outro podia valorizar mais o que tem e procurar dar "pica " à relação através de métodos subtis, sem exigências e lamentos, viver mais intensamente os momentos bons. Ser um casal feliz dá muito trabalho! Mais do que alguma vez imaginei quando comecei a namorar, me casei. No início é tudo seda esvoaçante sob veludo intenso, nem se sente frio nem calor, nada importa, só sentir o outro. Mas mesmo depois de anos é tão bom! Ter uma mãozinha para apertar na rua, mesmo que o facto de dar a mão já não nos provoque aqueles arrepios pelo toque, como no início, dá-nos segurança. Está nas nossas mãos. Todos nos aborrecemos facilmente, não só as mulheres como no anúncio do novo axe twist. Vivamos combatendo esta debilidade humana, sem deixar esta luta só nas mãos das mulheres, como é tendência dos homens. Já sei que somos mais perspicazes, mas não é desculpa.
sábado, 2 de outubro de 2010
Âncoras
Nas aulas de preparação para o parto estamos a aprender o "primeiro tipo de respiração". Para ser utilizado entre contracções, para oxigenar a mãe e o bebé, para relaxar. É-nos pedido para inspirar profundamente e imaginar que se está a cheirar profundamente um aroma adorado, encher bem os pulmões, e ao inspirar e expirar, com calma, transportar a nossa mente para situações vividas ou imaginadas que nos transmitam paz, as nossas "âncoras". Todos temos várias âncoras. As minhas estão na infância, pelos vistos. Tenho 3. Uma é inevitável, aparece sempre.
Lembro-me dos passeios a Vieira do Minho e a Vila Nova de Cerveira, à estalagem da Boega. Havia uns tanques, uns laguinhos ou qualquer coisa velha de pedra com água onde crescia musgo verde. Este musgo tinha um cheiro maravilhoso e é dos cheiros que eu mais me recordo na infância. Um odor a inocência e vida fresca. A férias e Outono. A Portugal. Esta é uma das minhas âncoras.
A minha segunda âncora é o aroma a dunas do Algarve. Lembro-me a caminho da praia do Cabeço, eu e o meu irmão, a competir para ver quem avistava a bandeira, normalmente verde, primeiro. A caminho da praia as dunas tinham aquele cheiro doce e quente, que ainda agora me transporte para a calma, para a comodidade e o calor.
A terceira âncora é a Foz do Douro. Os cafés com vento que os meus pais tomavam na marginal, bem pertinho da praia do Molhe. Aquele cheiro a rio com oceano atlântico, a rochas espancadas pelo mar. Aqueles fins de semana onde a minha avó Isaura preparava o seu arrozinho solto com salsa. Tudo coisas boas.
Ainda não encontrei mais âncoras mas a cada aula acrescento uma ao meu repertório. Espero lembrar-me de as usar quando o útero contrair e a dor se impuser.
Gosto tanto de estar a recordar-me, com cada vez mais força, da minha infância. É tão bom saber que a minha filha vai ser criança e ter esta magia, esta inocência e frescura que agora recordo. Espero poder passear muito com ela, por todo Portugal, fazer com que cheire as coisas boas do nosso Portugal, o queijo de São Jorge, o musgo, o mar e os mexilhões, os cominhos, as dunas, os cravos, o pão-de-ló, a aletria acabada de fazer, as amendoeiras em flor, os campos de mimosas, as alfarrobeiras, as figueiras e tanta tanta coisa que não cabe aqui...
Lembro-me dos passeios a Vieira do Minho e a Vila Nova de Cerveira, à estalagem da Boega. Havia uns tanques, uns laguinhos ou qualquer coisa velha de pedra com água onde crescia musgo verde. Este musgo tinha um cheiro maravilhoso e é dos cheiros que eu mais me recordo na infância. Um odor a inocência e vida fresca. A férias e Outono. A Portugal. Esta é uma das minhas âncoras.
A minha segunda âncora é o aroma a dunas do Algarve. Lembro-me a caminho da praia do Cabeço, eu e o meu irmão, a competir para ver quem avistava a bandeira, normalmente verde, primeiro. A caminho da praia as dunas tinham aquele cheiro doce e quente, que ainda agora me transporte para a calma, para a comodidade e o calor.
A terceira âncora é a Foz do Douro. Os cafés com vento que os meus pais tomavam na marginal, bem pertinho da praia do Molhe. Aquele cheiro a rio com oceano atlântico, a rochas espancadas pelo mar. Aqueles fins de semana onde a minha avó Isaura preparava o seu arrozinho solto com salsa. Tudo coisas boas.
Ainda não encontrei mais âncoras mas a cada aula acrescento uma ao meu repertório. Espero lembrar-me de as usar quando o útero contrair e a dor se impuser.
Gosto tanto de estar a recordar-me, com cada vez mais força, da minha infância. É tão bom saber que a minha filha vai ser criança e ter esta magia, esta inocência e frescura que agora recordo. Espero poder passear muito com ela, por todo Portugal, fazer com que cheire as coisas boas do nosso Portugal, o queijo de São Jorge, o musgo, o mar e os mexilhões, os cominhos, as dunas, os cravos, o pão-de-ló, a aletria acabada de fazer, as amendoeiras em flor, os campos de mimosas, as alfarrobeiras, as figueiras e tanta tanta coisa que não cabe aqui...
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