quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A casa da mãe Joana

Enquanto a bebé está a tentar pôr sozinha a chupeta que lhe caiu pela 12ª vez (às vezes consegue sozinha, não sei bem como, mas lá consegue...), eu tento fazer o jantar, ou almoço, ou passo a ferro, ou estendo roupinhas, ou passo a esfregona na cozinha, ou esterilizo biberons, ou faço a alcofa de lavado, ou preparo o saco para sair para o supermercado porque faltam fraldas, ou faço o biberon de suplemento, ou tento dormir uma meia hora, ou tento limpar a mancha de leite que caiu no sofá, ou tiro o excesso de leite materno com a bomba, ou, ou, ou...



A minha casa está um pandemónio. Há fraldas de pano por todo o lado, biberons a secar por todo o balcão da cozinha, mantinhas espalhadas por todo o lado, acessórios da bomba extractora de leite no braço do sofá, receitas da farmácia na mesa de entrada, o carrinho da bebé atrás do sofá a interromper a passagem (mas onde o hei-de colocar?), suporte da banheira de bebé a interromper a entrada na casa-de-banho, caixinhas de pomadas e gotas na minha mesinha de cabeceira, o saco do lixo completamente a abarrotar de fraldas sujas, e tão pouco tempo ou oportunidade para arrumar tudo! A minha casa  é, agora mais do que nunca, a verdadeira "casa da mãe Joana".

Mas, já agora, de onde vem esta expressão? Sempre tive curiosidade. Recorramos à Wikipedia...

Casa-da-mãe-joana é uma expressão de língua portuguesa que significa o lugar ou situação onde vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balbúrdia e a desorganização. A sua origem remonta ao século XIV. Parece que uma tal Joana I de Nápoles (rainha de Nápoles e condessa de Provença), que viveu entre os anos 1326 e 1382, teve uma vida atribulada. Segundo alguns autores, teve de se mudar para Avignon, França, depois de se ter envolvido numa conspiração que resultou na morte do seu marido André. Segundo outros autores a ida para França deveu-se à expulsão da Igreja por conduta indevida.
Joana regulamentou os bordéis da cidade onde vivia refugiada. Uma das normas dizia: "O lugar terá uma porta por onde todos possam entrar." Em Portugal, a expressão paço-da-mãe-joana tornou-se sinónimo de prostíbulo. A expressão foi depois levada para o Brasil mas o termo paço, por não ser de linguagem popular, foi substituído por casa. A expressão "Casa-da-mãe-Joana" passou a ser usada para indicar o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde imperam a desordem e a desorganização.

Por um lado, atrapalha-me ver a casa assim, um caos. Por outro, surge-me sempre um sorriso "bobo" na cara porque o motivo da desarrumação é tão bonito e as coisinhas dela tão mimosas... Já não me lembro de quando não era mãe. Foi há menos de um mês mas parece que foi há uma vida atrás. Sinto que sou mãe desde sempre. E surpreendo-me sempre que olho para ela e me dou conta que é "minha" e é do amor da minha vida. Eu sou a mãe dela, sou mesmo eu! Foi mesmo a mim que a vida resolveu "honrar" com esta filhota linda. Sinto-me tão sortuda, honrada, bafejada pelo amor!

Welcome my baby girl!!!

A Francisca já se adaptou à casa e já é tudo dela, já "marcou" o seu território e o apartamento cheira a bebé. Há quase 10 dias começou a preocupar o papá e a mamã porque nãao ganhava peso. Quase 3 semanas e o mesmo peso do nascimento: 2, 710 Kg. A pediatra quis vê-la 3 dias depois. Tinha 2,690 Kg... Deu-nos alguns truques para ela não ser tão preguiçosa a mamar e dois dias depois tínhamos de voltar a pesá-la. Outros dois dias e uma mastite depois, tinha menos peso, 2,680 Kg. Toca a dar  uma pequena ajuda com suplemento. Mais dois dias e estávamos a pesá-la novamente: 2,660 Kg. Já tinha 50 cm mas nada de engordar. A situação já era para alarmar. Hoje e depois de aumentar a dose de suplemento, sem nunca deixar de dar leite materno (mesmo que tenha de ser tirado com a bomba), tinha 2,820 Kg. Uf... o alívio foi grande, muito grande!


Keep on growing, wee daughter!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pré, Durante e Pós- Parto

Toquem os Sinos!

Bem-vinda ao mundo Francisca! Deus te abençoe, te cuide e guarde e nos dê as melhores armas para sermos uns bons pais. Parecias uma pétala, um botãozinho de rosa, uma papoila, uma flor ao nascer. Se já não nos tivéssemos decidido pelo nome, talvez te chamasse Flor ou Papoila. Nasceste pequenina, 46,5 cm, 2,705 Kg, mignonne como dizem os franceses. Há palavras noutros idiomas ideais, sem tradução, uma delas é mignonne.
Nasceste em Braga, na cidade dos Sinos, do frio e do calor, do Bom Jesus. Na cidade do teu pai. No Minho verde-musgo. Numa madrugada de muita muita muita chuva.

Pré-parto

A minha teoria é que tudo começou na quarta-feira, dia 17. Fui ao médico obstetra e ele fez-me, como ele bem disse, uma "maldade": puxou-me o colo do útero para a frente, já que estava muito posterior. Tive umas dorezitas que chegaram a incomodar mas depois passaram...
Dia 19 às 5:55 da manhã "expulsei" o tal "rolhão mucoso". Mais tarde, perto das 7:00 um pouco de líquido. Mmmm...é melhor avisar o maridão. Acordei-o com cuidadinho, informei-o do que se estava a passar, e fui-me deitar de novo: tinha de descansar o máximo que pudesse. Como o líquido não saiu em "jorro", não me preocupei muito.

Pelas 7:30 começam as contracções. Muito leves e muito espaçadas, como dores menstruais. Continuei a domir, ciente que o momento se aproximava mas não me exaltando, tranquila, a dormitar, olhando para a barriga, tocando-lhe e pensando: "adeus barriga de grávida, até uma próxima vez, espero...".
Tomei banho, o pequeno-almoço, almocei, joguei "minesweeper", actualizei o facebook, vi os emails, vi televisão, fiz exercícios "basculares", agachamentos, tentei ioga, passei a ferro umas roupinhas da bebé... até que as contracções se tornaram mais fortes, embora espaçadas a 10 minutos. Eram 19:00 horas quando saímos a caminho do Hospital de S. Marcos. Eu já estava com contracções de 8 em 8 minutos.
Feita a ficha, fui atendida por uma médica jovem, bonita e simpática. Ela ralhou-me logo porque me tinha saído líquido amniótico há 12 horas atrás (devia ter vindo mais cedo para o hospital, pelos vistos) e agora tinha de tomar um antibiótico. Descansou-me porque me mediu 4 cm de dilatação (e eu tinha imenso receio de não "dilatar" e me terem de dar ocitocina) e viu que a bebé já estava, finalmente, "encaixada"!!! Uf... Ela bem que me dizia, lá de dentro: "não te preocupes mamã, eu sou espertinha e vou encaixar".
Entreguei-lhe o meu "plano de parto" e prometeram segui-lo até onde pudessem.

Parto

Vesti a "camisa de noite" do hospital e o Miguel foi buscar o kit de recolha de células estaminais. Fui para a sala de partos. Apareceu uma enfermeira-estudante chamada Joana que me explicava tim-tim por tim-tim o que me estava a fazer. Depois apareceu outra enfermeira, muito simpática, que me pôs o CTG e me disse que me ia dar um pouco de ocitocina para "regular as contracções". Nesta altura as contracções já estavam demasiado próximas e já apareciam alguma no ecrã a 100% de limite de dor.

De repente no ecrã as pulsações da bebé baixaram repentinamente e eu pensei que era por me ter mexido com as dores. Pelos vistos não era, a enfermeira apareceu a correr e tirou-me logo a ocitocina porque "a bebé não tinha gostado", e acrescentou: "Isto vai ter de ser mesmo ao natural, já está com 8 cm de dilatação." Toca a chamar a anestesista. As contracções estavam de repente espaçadas a 1 minuto. A anestesista que me deu a epidural teve alguma dificuldade porque as contracções vinham em catadupa. De repente, um alívio... a epidural estava a funcionar. Viva a epidural! Se fosse um nome bonito, a miúda tinha-se chamado Francisca Epidural!

Menos de duas horas depois, já passava da meia-noite (já era, portanto, dia 20), chega a médica, a tal que me atendeu na urgência de obstetrícia. Vinha do Porto, foi levar uma doente na ambulância e pelos vistos bateram num carro de ciganos e a coisa por pouco não deu "pró torto". Esta história a médica ia contando, muito animada, ao mesmo tempo que eu dizia à enfermeira: "olhe, já estou a sentir 'aquela' vontade de puxar de que me falou...". Meu dito, meu feito, toca a puxar. De repente estavam mais pessoas na sala mas nem reparei quem, agarrei-me a uns ferros na parte de baixo da cama e puxei, puxei, puxei. Pareceram-me só uns 5 'puxos' mas o Miguel disse que foram muitos mais. Entretanto a médica avisa-me que vai ter de cortar um pouco porque a bebé está 'entalada' e que o pai vai ter de carregar um pouco na minha barriga. Dois procedimentos que eu não estava muito disposta a aceitar, mas teve que ser. Quase vomitei o estômago! Valeu a pena porque no segundo 'puxo' e depois de uma sensação horrorosa de aflição, mais do que dor, como se tivesse um melão entalado, sinto uma coisa escorregadia a sair de mim, e a médica muito aflita a desenrolar o cordão umbilical à volta do pescoço.

A Francisca não chorou, só reclamou um pouco. Mal nasceu a médica e a enfermeira inspeccionaram-na, o pai cortou o cordão, e outra enfermeira retirou o sangue do cordão umbilical. O pai enfiou-lhe o gorrinho e começou a gargalhar: tapava-lhe os olhos, era enorme, teve de ser dobrado. E depois colocaram-na no meu colo. Que sensação! Ainda há minutos estava dentro de mim e agora estava ali, encolhida nos meus braços, e cheirava a mim, ao meu sangue e fluídos. Muito pequenita mas linda, linda. Cada vez mais linda e rosada à medida que passavam os minutos. E cheia de vontade de mamar! Pimba, toma lá um 'shot' de colostro.

O Miguel teve de se ir embora, depois de bastantes mensagens, alguns telefonemas e muitos mimos. A bebé ficou ao meu lado na cama - não havia bercinhos suficientes, pelos vistos. Tive sorte, fiquei num quarto com casa-de-banho, só com uma companheira. Do quarto via-se uma capela e ouviam-se sinos. Bem-vinda minha filha, toquem e repiquem os sinos, nasceste abençoada, com saúde, num país sem guerra, com um pai e uma mãe ansiosos por te amar e te criar. Bem-vinda! Bem-vinda!

Pós-parto

No meu caso, está a ser pior o pós-parto do que foi o parto. Nos dias seguintes ao parto, é muito duro ficar no hospital 3 dias, à "mercê" de enfermeiras nem sempre simpáticas, de comidas sem sabor, de ensinamentos e teorias várias sobre o nosso bebé, sem companhia do marido durante a noite, com um cansaço extremo, sono extremo, preocupação extrema, o ruído de vários bebés a chorar, várias mães a chorar, dúvidas, dúvidas... E dores, dores no peito, dores na barriga, dores nas costas e a impossibilidade de nos sentarmos por causa da dor perineal... É preciso ir muito segura, muito mesmo. Com a cabeça limpa. Mas isto, claro, é quase impossível. O turbilhão de emoções e as novas exigências que se impõem de um minuto para outro não nos permitem ter a segurança e a cabeça limpa que tínhamos no minuto antes de nos colocarem o nosso bebé no colo. Por isso decidi seguir os meus instintos e contemplar a minha filhota. Pensar: "todas as mães já passaram por isto, não és a primeira nem serás a última" ajuda bastante.

O que (ainda) me angustia mais é não saber porque a minha bebé chora. E isto acontece sempre em algum momento do dia. Não saber o que fazer quando já se deu de mamar até o peito doer, quando a fralda está limpa, quando não parece ter cólicas, está quentinha e já a enchemos de mimos e colo.

E a tortura de não dormir. Ou dormir pouco. Duas horas + uma hora e meia + meia horita e pronto, temos de enfrentar um novo dia. O marido já foi trabalhar e temos de tomar banho com a bebé à porta porque há aquele medo que aconteça qualquer coisa, e os mamilos doem e teimam em doer, por mais pomadas e truques que se apliquem, e daqui a duas horas ela vai querer mamar de novo e vai doer de novo, mesmo corrigindo a pega, mesmo com paciência e carinho. E 15 dias depois do parto ainda nada nos serve, só leggings e roupa de grávida. E ter de fazer ginástica do tempo para conseguir sair de casa e arejar, a tempo de voltar para mamar outra vez, e mesmo assim ser criticada pelas senhoras da mercearia: "Ai, tão novinha e já sai à rua, com este frio! Coitadinha!" Mesmo se a miúda for quase sufocada com mantas e gorrinhos...

E os comentários da família... xiii esses chateiam. Antes não chateavam porque me criticava a mim, Joana. Agora critica a mim, mãe da Francisca, e à frente dela!

Quando olho para ela e ela para mim, com aquelas expressões engraçadas, e com 15 dias sorri para mim e parece que me quer dizer qualquer coisa, tudo se esquece. Ainda por cima é tão parecida comigo! É uma benção na nossa vida. Abraçá-la é sentir amor, na sua plenitude. Amor puro e fresco, acabado de nascer. Sim, estou desejosa que fale, ande, durma 12 horas seguidas mas, por outro lado, cada dia que passa já significa saudades da vidinha de recém-nascida dela, da vidinha de recém-mamã minha.

domingo, 14 de novembro de 2010

Medo de ter medo

Até ao momento ainda não experimentei aquela sensação de medo, ansiedade ou nervoso miudinho próprios de quem vai ser mãe pela primeira vez, a qualquer momento... Uma primigesta não costuma passar das 39 semanas e falta exactamente uma semana para eu cumprir as 39.

Como me sinto? Não sei bem. Estou mais sensível mas meia distraída, com a cabeça na lua. Parece que estive grávida toda a vida e só quando me dá uma cãibra ou quando me custa a baixar é que me lembro que estou mesmo grávida, na última fase da gestação. Já passei a fase de lavar e passar roupinhas (acho que tenho tudo prontinho...) e já fiz a mala da maternidade e o saco para a sala de partos.

A minha barriga não parece muito grande e, embora tenha engordado 15 kilos, não me vejo propriamente gorda. Começo a notar, lentamente, que as minhas feições estão alargadas, estou mais "bochechuda" e acordo com as mãos bastante sapudas e sem energia. Doem-me ligeiramente as articulações dos dedos e principalmente dos joelhos... Sinto a bebé a mexer-se, mas não tanto como antes. Sinto os soluços dela bem "lá em baixo" :-) Sinto os "arranhões" internos dela. Lima as unhitas na parede do meu útero, só pode.

Falo bastante com a bebé, dou-lhe "palmadinhas" no rabito quando o sinto espetado quase em cima das costelas. Tenho um apetite voraz e já desisti de tentar resistir ao chocolate. Não sou uma grávida muito disciplinada mas gosto de fazer os meus exercícios da bacia, do períneo, a respiração... Tenho receio de me esquecer de todos os truques que aprendi nas aulas de preparação para o parto quando chegar a hora H.

Ainda não me parece que vá nascer. Não sei, parece que ainda vai demorar, não sinto que quer nascer já, não me sinto preparada nem a sinto preparada. Ainda nem sequer encaixou, a malandra!
Toda a gente me pergunta: "Já deves estar ansiosa que nasça, não é? Farta de estar grávida e ansiosa por vê-la." Mmmm, nem por isso. Estou tranquila, acho eu. Estou neutra... é possível? Feliz porque ela vem aí e já tenho tudo prontinho no quartinho dela, feliz porque o pai está aqui ao meu lado e juntos fazemos o "ninho", feliz porque vou ser mãe mas como é que ainda me parece uma coisa tão longínqua quando falta tão pouco? Estou alerta mas cada dia me vou deitar a pensar ainda não foi hoje, não acho que seja amanhã.

Quando quiseres bebé!

(Foto: a minha barriga com 35 semanas de gestação. Tirada pelo meu irmão Nuno)

O plano de parto

Não parece ser possível "planear" o parto. Em princípio não sabemos o que vai acontecer, se vai haver dilatação suficiente, se o bebé vai estar na posição que deve, se, se e se... Mas mesmo que o hospital ainda não seja muito receptivo ao nosso plano, ao parto completamente humanizado e monitorizado pela mãe, eu escrivinhei um.

Ainda se trata de um rascunho, terei de o mostrar à enfermeira das aulas de preparação para o parto, ao médico... Para ficarem a saber do que se trata (quem ainda não souber), cá vai um link:


E cá vai o meu "rascunho":

Plano de parto
Nome: Joana Cristina Serro Ferreira
Data prevista para o parto: 27.11.2010
Médico assistente: Dr. José Matos Cruz

Braga, 14 de Novembro de 2010

Exmos. Profissionais de Saúde do Serviço de Obstetrícia do Hospital de Braga:

Dirijo-me a vós, dada a aproximação de um grande e feliz acontecimento para mim e para o meu marido: o nascimento da nossa filha.
Fizemos o curso de Preparação para o Parto e para a Parentalidade e estamos informados das várias orientações da OMS para o parto, bem como dos estudos científicos que suportam as mesmas.
Conhecendo o bom desempenho dos profissionais do Hospital de Braga, da sua capacidade técnica e do esforço e empenho para um serviço de excelência e principalmente cada vez mais humanizado, venho com total consciência dos meus actos, solicitar-vos as seguintes condições para o meu parto (ver lista abaixo detalhada).

Estou certa de que um parto nestas condições será para mim e para o meu marido um parto bem humanizado, que promoverá o nosso bem-estar físico e emocional, sem descurar a segurança que deve envolver o nascimento da minha filha.

Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas.
Muito obrigado.


Atenciosamente,

1.    Questões de admissão
1.1.        Gostaria que me realizassem tricotomia parcial na admissão (se eu não a tiver feito previamente).


2.    Presenças na sala de parto
2.1.        Gostaria que o meu marido estivesse sempre comigo.  
2.2.        Não me oponho a que estejam estudantes presentes.
2.3.        Gostaria que não estivessem pessoas constantemente a entrar e a sair da sala de parto.


3.    Dor
3.1.        Gostaria de receber a epidural assim que possível.


4.    Trabalho de parto
4.1.        Gostaria de poder beber líquidos (água ou chá).
4.2.        Gostaria de ter liberdade de movimentos durante o trabalho de parto (ter possibilidade de deambulação, independentemente da sala de partos vaga para o efeito). Sou um pouco claustrofóbica e, com o calor que se faz sentir na maternidade, gostaria de poder ir “respirar” à janela sempre que sentir necessidade. Esta é uma das minhas principais preocupações: sentir que não me falta o ar.

4.3.        Gostaria que não me rompessem artificialmente as membranas, se o bebé estiver bem.

4.4.        Gostaria de ser informada das razões para os profissionais de saúde sugerirem (se necessário):
§  Indução do trabalho de parto
§  Ruptura artificial de membranas
§  Algaliação
§  Administração de ocitocina
§  Fórceps/ventosa
§  Episiotomia
§  Cesariana
4.5.        Gostaria de escolher a posição para parir, sempre que não haja risco para mim e para o bebé.  
4.6.        Não vou tolerar que a minha barriga seja empurrada para baixo.
4.7.        Gostaria de circunscrever ao mínimo o número de exames vaginais (toques).  
4.8.        Episiotomia: só se for realmente necessário. Não gostaria que fosse uma intervenção de rotina.


5.    Pós-parto
5.1.        Gostaria que o cordão umbilical fosse laqueado depois de pulsar até ao fim e posteriormente fosse efectuada a recolha de sangue para a empresa pública Lusocord (levarei o respectivo KIT para a sala de partos).
5.2.        Gostaria que fosse o meu marido (o pai) a cortar cordão umbilical.
5.3.        Gostaria que o bebé fosse posto no meu colo imediatamente após o nascimento (depois do corte do cordão).
5.4.        Gostaria que os exames ao bebé fossem realizados na minha presença ou, se eu não estiver em condições, na presença do pai.  
5.5.        Gostaria de aguardar a expulsão espontânea da placenta, sem manobras, tracção ou massagens.
5.6.        Gostaria que fosse o meu marido (o pai) a vestir o bebé.
5.7.        Gostaria de dar de mamar na primeira hora a seguir ao parto.
5.8.        Não desejo ver a minha placenta.
5.9.        Gostaria que não oferecessem suplemento ao bebé sem o meu consentimento.



6.    Em caso de cesariana
6.1.        Gostaria que estivesse presente o meu marido, que é profissional de saúde (médico veterinário).
6.2.        Gostaria de ter as mãos livres para poder segurar no meu bebé imediatamente após o nascimento.


7.    Durante a minha estadia no serviço de puerpério gostaria de:

§  Amamentar o meu bebé
§  Ter sempre o meu bebé comigo
§  Ser informada de todos os exames e procedimentos a realizar ao bebé
§  Estar presente em todos os procedimentos a realizar ao bebé
§  Ser eu ou o pai a dar o 1º banho, sob supervisão da enfermeira

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um casamento dá trabalho?

Inspirada pelo texto do Miguel Esteves Cardoso (MEC), http://www.publico.pt/Sociedade/cronica-um-segredo-de-um-casamento-feliz_1462647?all=1, que desde já recomendo, vi-me obrigada a fazer uma pequena anotação (algo que já tinha escrito num blog há algum tempo atrás com outras palavras...):
- toda a gente diz que "cultivar", "manter" uma relação dá trabalho, exige "rega" diária, bláblá. Citando MEC: "Os livros que li dão a ideia de que os casamentos felizes dão muito trabalho. Mas se dão muito trabalho como é que podem ser felizes? Os livros que li vêem o casamento como uma relação entre duas pessoas em que ambas transigem e transaccionam para continuarem juntas sem serem infelizes. Que grande chatice!".
Realmente, que coisa chata o casamento se fôr assim!

Citando o meu marido: "amar alguém é viver com os seus defeitos". Eu acho que é ao contrário. Amar alguém é viver com as suas qualidades, mimos, palavras, cheiros, toques. E não deve dar trabalho! Aliás, deve parecer que dá trabalho para as pessoas que "observam" a relação de fora, mas esse "trabalho" ou dedicação não deve pesar para nós, que o fazemos por vezes sem pensar. E que espécie de trabalho é este? Planear? No meu caso só vejo este tipo de trabalho. Planear o nosso dia-a-dia de forma que o outro encaixe sempre, se sinta bem com os nossos planos, mais ou menos determinados por um emprego ou por outras obrigações. Adaptar-se ao ritmo dele/a. Será isto o que dá trabalho? Porque "aturar" a criatura quando está mal-disposta ou quando estamos sem disposição não é uma coisa que dê trabalho, creio. Faz parte e é "tão natural como a sua sede", hehe. As pessoas não estão sempre bem-dispostas nem cheias de paixão, mau era! Aí sim o casamento era uma chatice.
Não deve dar trabalho arranjar um tempinho ou planear um jantarzinho ou um fim-de-semana ou um presente... ou mesmo uma simples partilha de um momento qualquer no sofá. Se der trabalho, é mau sinal, não é?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Carrinhos...

Pais interessados que se prezem passam horas a escolher um carrito para o transporte da criaturinha que não tarda nada faz "pop" como uma pipoquinha. Se não tiverem a sorte de herdar um modelo homologado, claro.
Falta um mesito. Portanto tivémos de percorrer as lojas.
Experimentámos muitos. Os baratinhos pareceram-nos fracos, os maiores demasiado grandes ou pesados, aos trios não vimos utilidade na alcofa, aos todo-o-terreno achamos piada mas as rodas eram enormes e não vamos propriamente andar com a bebé a fazer rallies, os práticos de marcas boas e preços bons não eram compatíveis com babycoques com sistema isofix ... Como já tínhamos escolhido o babycoque, o mais seguro do mercado, fomos "forçados" a escolher um chassis/ carrinho onde o tal babycoque encaixásse. Havia surpreendentemente poucos. Um dos modelos era tão perto do chão que a criança podia apanhar beatas sem eu ver ou podia levar uma lambidela (ou pior) dum cão de tamanho superior sem eu ter tempo de dizer "xô".
Havia outro modelo porreiro mas tinha de se levar outro babycoque e uma alcofa... coisas a mais. Outro cujos travões eram alvos de críticas na net. Enfim... depois de muito pôr o pé e a mão, montar e desmontar, decidimo-nos pelo Eléa da Bebeconfort. Tudo de bom menos o peso: 13 Kg.  Não é que o vá carregar às costas e de certeza que se tiver de ir em transportes públicos vou andar com a princesa num marsúpio ou babysling. Cabe no elevador e na mala do carro, uf, menos mal.
Esta compra é tão importante como a compra de um carro para nós, ou mais! Não há espaço para arrependimento.
Acabei de ler na net que a cadeira tem uma largura pequena, e se a criança tiver um rabinho gordinho?
Tarde demais. Cara filhota, vais ter um carrito todo ergonómico, fôfo, reclinável, compacto, colorido, com rodas que giram 360º.. Série de luxo! Agradece ao avô Francisco ;-)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vou fazer uma tatuagem na cara

Mais do que as cenas ou emoções do filme "Eat Pray Love" que vi ontem (finalmente!), ficaram a zumbir na minha cabeça algumas frases. Eu "é mais frases" :-)

Se fosse a escolher momentos do filme, haveria demasiados: o do encontro com o elefante, o da dança nupcial indiana, os vários momentos dedicados à culinária, principalmente aos pratos italianos (fiquei cá com um apetite!), o momento da despedida pai-filho...

Aqui estão as frases que mais gostei (autora, Elizabeth Gilbert, penso eu), em inglês. Às vezes, traduzir acaba um pouco com o encanto de algumas frases/ palavras.

"To lose balance sometimes for love is part of living a balanced life."

"Having a baby is like getting a tattoo on your face. You really need to be certain it's what you want before you commit."

"We must get our hearts broken sometimes. This is a good sign, having a broken heart. It means we have tried for something."

"We must take care of our families where-ever we find them."

"We don't realize that, somewhere within us all, there does exist a supreme self who is eternally at peace."

"Parla Come Mangi' --It is a common way to say 'be simple', 'don't try to be rhetorical' literaly: 'speak the way you eat"


Adoro a frase da tatuagem na cara. Não digo que nunca faria uma tatuagem na cara, até porque sou fã de tatuagens e estou desejosa de fazer uma terceira (nas costas) assim que a minha filha nasça e o meu corpo volte ao "normal". No entanto, não é coisa que deseje fazer, tatuar a cara.
Acho que esta frase resume bem ao que, hoje em dia, se compromete uma mãe (mais do que um pai, os pais que me desculpem) ao decidir ter um filho: é preciso um compromisso eterno por dentro e por fora, comprometer corpo, cabeça e coração, estar disposta a nunca mais ser a mesma nem nunca mais ter este ou aquele estilo de vida e entregar-nos a este destino e ao mundo de forma inteira, sem medo. Mais: eu creio que é necessário amar-se os nossos filhos mesmo antes de os conceber, imaginá-los na nossa vida, encaixá-los no nosso dia-a-dia. Como eu e o meu marido costumamos dizer, já temos saudades da nossa filha mesmo antes de ela nascer!

Ah... e um filho não se apaga a laser como uma tatuagem.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Recortes

Quem me conhece (mesmo que me conheça superficialmente) sabe que o meu vício são... revistas femininas. Quase todas: Máxima, Glamour (Espanha. França, USA e Reino Unido), Clara (Espanha), Marie Claire (Espanha, França), Activa, Cosmopolitan (de vez em quando... para desanuviar), Easyliving (Reino Unido) e O, the Oprah Magazine (USA). Leio outras, mas estas são as favoritas. Sim, gasto bastante dinheiro com estas revistas e, em tempos de austeridade, elegi a Glamour de Espanha e a Activa como companhias certas, assim com a recém-entrada no "lote", por razões óbvias, Pais & Filhos.
Há muitos dados, muitas curiosidades, frases, emoções, nomes, impressões que ficam na memória. Fica muito pouco do texto em comparação com as imagens, com as fotos. Por descargo de consciência, de vez em quando pego num molhe de revistas e, em vez de as condenar à reciclagem, faço recortes. Recorto imagens ou textos mais marcantes (menos da minha colecção da Glamour espanhola, que guardo fielmente e que um dia destes vou vender nalguma página net de coleccionadores e ganhar uma pipa de massa, hopefully!).

Outro dia fiz recortes da Máxima e da revista Notícias Sábado (do JN). Há dois textos que merecem menção no meu blog.
Um deles é um editorial da Laura Torres (acho que é este o nome mas a assinatura é um pouco difícil de decifrar), editora da revista Máxima. Escreveu sobre a "mulher ganha-pão". Antigamente, a mulher consumia-se pelo marido, casa, filhos. Agora consome-se primeiro pelo trabalho, depois vem algum homem, marido ou não, casa e filhos, se tiver. E atenção ao dado: na Grã-Bretanha, um estudo do jornal The Sunday Times concluiu que 44% das mulheres que trabalham são "breadwinner wives" dado que ganham pelo menos a mesma quantia que os maridos/ companheiros. E, atenção, 19% leva para casa mais dinheiro do que eles! A notícia podem lê-la melhor neste link: http://women.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/women/article7009727.ece
E nos EUA (dados de 2007) 22% dos maridos tinham salários mais baixos que as respectivas!
E em Portugal? No link http://www.pordata.pt/azap_runtime/?n=4 podemos ter uma imagem do que se passa por cá, mas só em termos de ganhos médios por sexo e de 2008.
Não concordo com o que diz a Laura, que neste país a mulher que ganha mais está "tramada" devido ao orgulho machista, que insiste em pagar para mandar. Aliás, já não vejo exemplos desses nem na minha família nem nos meus amigos mais próximos, pelo contrário. Ela, em média, termina o curso mais cedo. O que significa que começa a carreira mais cedo. Os homens parecem mais relaxados sabendo que a mulher ganha tanto ou mais que eles. Não os afecta minimamente e, no que diz respeito ao orgulho de macho, parece que agora a moda é: "pois, a minha namorada é que está bem e ganha x, 'ganda' mulher, quer uma carteira, vai lá e compra, não anda a pedinchar", ou "a minha filha está muito bem na empresa, o chefe está sempre a dar-lhe incentivos, outro dia comprou um carrinho todo jeitoso, bla bla", ou "a minha mulher traz para casa mais que eu e ainda bem pá, de qualquer forma era ela quem fazia a gestão da guita pá!".



O outro "recorte" que fiz foi de um artigo de opinião do Joel Neto, na revista Noticias Sábado, do JN.
O artigo intitula-se "Está tudo errado connosco" e confesso que me fez humedecer os olhinhos. Podem ler o artigo em http://www.joelneto.com/24559.html. É sobre a iminência de um divórcio e as exigências que uma mulher faz ao seu futuro ex-marido sem esperança que ele ceda. O homem tem saudades, dá-lhe um aperto no peito cada vez que leva a filha a casa depois de partilhar um fim-de-semana com ela. Por ele, as coisas tinham continuado como estavam mas a mulher já não sentia emoção. Nem ele, mas não era coisa com que se importásse muito. A vida corria tranquila, o sossego e ter companhia ao chegar a casa bastava-lhe. Mas a mulher queria acção, romance, loucura, arrebato, queria que ele não trabalhásse tanto, queria desejo. E ele só queria estar tranquilo e ter com quem dormir abraçado até de manhã. Não chegava. E não chega!
Não creio que se trate de mote de revolução sexual por parte da mulher. Trata-se de pele com pele, toque, calor. Não acredito que ela quisesse arrebato e loucura todos os dias, com certeza fartava-se. Só estava com um pouco de saudades e talvez quisesse sentir-se desejada, simplesmente, de vez em quando. Mas o simples tornou-se complicado para este casal.
Há muitos casais assim, é típico! Um dos membros do casal não consegue fazer um esforcinho para dar mais "pica" à relação estagnada, perante o desespero do outro membro que exige continuamente provas, que exige a emoção do início da relação. Um dos membros do casal fica a sonhar com o nervoso miudinho dos princípios do romance, o coração acelerado, a paixão bruta. E a relação esfria e vai morrendo, sem que nenhum dos dois ceda. Um deles podia estar mais atento, dar mais de si, OUVIR mais o outro, surpreender o outro. E o outro podia valorizar mais o que tem e procurar dar "pica " à relação através de métodos subtis, sem exigências e lamentos, viver mais intensamente os momentos bons. Ser um casal feliz dá muito trabalho! Mais do que alguma vez imaginei quando comecei a namorar, me casei. No início é tudo seda esvoaçante sob veludo intenso, nem se sente frio nem calor, nada importa, só sentir o outro. Mas mesmo depois de anos é tão bom! Ter uma mãozinha para apertar na rua, mesmo que o facto de dar a mão já não nos provoque aqueles arrepios pelo toque, como no início, dá-nos segurança. Está nas nossas mãos. Todos nos aborrecemos facilmente, não só as mulheres como no anúncio do novo axe twist. Vivamos combatendo esta debilidade humana, sem deixar esta luta só nas mãos das mulheres, como é tendência dos homens. Já sei que somos mais perspicazes, mas não é desculpa.

sábado, 2 de outubro de 2010

Âncoras

Nas aulas de preparação para o parto estamos a aprender o "primeiro tipo de respiração". Para ser utilizado entre contracções, para oxigenar a mãe e o bebé, para relaxar. É-nos pedido para inspirar profundamente e imaginar que se está a cheirar profundamente um aroma adorado, encher bem os pulmões, e ao inspirar e expirar, com calma, transportar a nossa mente para situações vividas ou imaginadas que nos transmitam paz, as nossas "âncoras". Todos temos várias âncoras. As minhas estão na infância, pelos vistos. Tenho 3. Uma é inevitável, aparece sempre.
Lembro-me dos passeios a Vieira do Minho e a Vila Nova de Cerveira, à estalagem da Boega. Havia uns tanques, uns laguinhos ou qualquer coisa velha de pedra com água onde crescia musgo verde. Este musgo tinha um cheiro maravilhoso e é dos cheiros que eu mais me recordo na infância. Um odor a inocência e vida fresca. A férias e Outono. A Portugal. Esta é uma das minhas âncoras.
A minha segunda âncora é o aroma a dunas do Algarve. Lembro-me a caminho da praia do Cabeço, eu e o meu irmão, a competir para ver quem avistava a bandeira, normalmente verde, primeiro. A caminho da praia as dunas tinham aquele cheiro doce e quente, que ainda agora me transporte para a calma, para a comodidade e o calor.
A terceira âncora é a Foz do Douro. Os cafés com vento que os meus pais tomavam na marginal, bem pertinho da praia do Molhe. Aquele cheiro a rio com oceano atlântico, a rochas espancadas pelo mar. Aqueles fins de semana onde a minha avó Isaura preparava o seu arrozinho solto com salsa. Tudo coisas boas.
Ainda não encontrei mais âncoras mas a cada aula acrescento uma ao meu repertório. Espero lembrar-me de as usar quando o útero contrair e a dor se impuser.
Gosto tanto de estar a recordar-me, com cada vez mais força, da minha infância. É tão bom saber que a minha filha vai ser criança e ter esta magia, esta inocência e frescura que agora recordo. Espero poder passear muito com ela, por todo Portugal, fazer com que cheire as coisas boas do nosso Portugal, o queijo de São Jorge, o musgo, o mar e os mexilhões, os cominhos, as dunas, os cravos, o pão-de-ló, a aletria acabada de fazer, as amendoeiras em flor, os campos de mimosas, as alfarrobeiras, as figueiras e tanta tanta coisa que não cabe aqui...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

9 meses

Este blog não surgiu especialmente para acompanhar a minha primeira gravidez. Até porque já vou com 31 semanas e tenho uma agendinha bem jeitosa que me ofereceu uma amiga e que dá para os gastos. Este blog surgiu porque começou um novo capítulo da minha vida. E desta vez em Portugal. Os meus blogs anteriores retratavam a minha vida de emigrante em Espanha e no Reino Unido. Desta vez é cá, a doer, na Tugolândia, país de poucas oportunidades e de muitas crises. Cá reina a esperança de um dia melhor porque cá nasci e cá vai nascer a minha primogénita. Começou a minha aventura em terras lusas.
Bem-vindos amigos!

Gravidíssima

Eis-me "de barriga". Não tinha sonhado propriamente estar grávida, mas sim ser mãe. Estar grávida é um estado mais ou menos engraçado, bonito - ok! - mas é um desconforto necessário que acaba em sofrimento (parto) que dispensava. O meu sonho sempre foi amar/ casar e ter filhos, e ter filhos é também esperar por eles e fazê-los crescer dentro de nós, engendrá-los.
Gosto que me dêem lugar no autocarro e de ter prioridade nas filas. Gosto de ver a minha barriga a ondular e de sentir a minha bebé a mexer-se, a virar-se, aos soluços, aos pontapés. É bonito mas é a natureza. Dôres nas costas, pés e pernas inchados, falta de fôlego, coração acelerado, cansaço, peso, vontade de fazer xixi a cada passo, prisão de ventre, estrias, dificuldade em apertar os sapatos ou cortar as unhas dos pés - tudo isso eu dispensava (quem não?) mas tudo isso faz parte.
Não vou dizer que adoro estar grávida. Adoro a minha filha que vem aí, amo-a desde que ela tem o tamanho de uma ervilha, mas não adoro esta sensação de estar "gravidíssima". São ossos de ofício de mãe.
Cá te espero filha. Continua a mexer-te - se passas muito tempo sem te mexer fico um bocado paranóica. :-)
Mãe Joana.