quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A casa da mãe Joana

Enquanto a bebé está a tentar pôr sozinha a chupeta que lhe caiu pela 12ª vez (às vezes consegue sozinha, não sei bem como, mas lá consegue...), eu tento fazer o jantar, ou almoço, ou passo a ferro, ou estendo roupinhas, ou passo a esfregona na cozinha, ou esterilizo biberons, ou faço a alcofa de lavado, ou preparo o saco para sair para o supermercado porque faltam fraldas, ou faço o biberon de suplemento, ou tento dormir uma meia hora, ou tento limpar a mancha de leite que caiu no sofá, ou tiro o excesso de leite materno com a bomba, ou, ou, ou...



A minha casa está um pandemónio. Há fraldas de pano por todo o lado, biberons a secar por todo o balcão da cozinha, mantinhas espalhadas por todo o lado, acessórios da bomba extractora de leite no braço do sofá, receitas da farmácia na mesa de entrada, o carrinho da bebé atrás do sofá a interromper a passagem (mas onde o hei-de colocar?), suporte da banheira de bebé a interromper a entrada na casa-de-banho, caixinhas de pomadas e gotas na minha mesinha de cabeceira, o saco do lixo completamente a abarrotar de fraldas sujas, e tão pouco tempo ou oportunidade para arrumar tudo! A minha casa  é, agora mais do que nunca, a verdadeira "casa da mãe Joana".

Mas, já agora, de onde vem esta expressão? Sempre tive curiosidade. Recorramos à Wikipedia...

Casa-da-mãe-joana é uma expressão de língua portuguesa que significa o lugar ou situação onde vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balbúrdia e a desorganização. A sua origem remonta ao século XIV. Parece que uma tal Joana I de Nápoles (rainha de Nápoles e condessa de Provença), que viveu entre os anos 1326 e 1382, teve uma vida atribulada. Segundo alguns autores, teve de se mudar para Avignon, França, depois de se ter envolvido numa conspiração que resultou na morte do seu marido André. Segundo outros autores a ida para França deveu-se à expulsão da Igreja por conduta indevida.
Joana regulamentou os bordéis da cidade onde vivia refugiada. Uma das normas dizia: "O lugar terá uma porta por onde todos possam entrar." Em Portugal, a expressão paço-da-mãe-joana tornou-se sinónimo de prostíbulo. A expressão foi depois levada para o Brasil mas o termo paço, por não ser de linguagem popular, foi substituído por casa. A expressão "Casa-da-mãe-Joana" passou a ser usada para indicar o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde imperam a desordem e a desorganização.

Por um lado, atrapalha-me ver a casa assim, um caos. Por outro, surge-me sempre um sorriso "bobo" na cara porque o motivo da desarrumação é tão bonito e as coisinhas dela tão mimosas... Já não me lembro de quando não era mãe. Foi há menos de um mês mas parece que foi há uma vida atrás. Sinto que sou mãe desde sempre. E surpreendo-me sempre que olho para ela e me dou conta que é "minha" e é do amor da minha vida. Eu sou a mãe dela, sou mesmo eu! Foi mesmo a mim que a vida resolveu "honrar" com esta filhota linda. Sinto-me tão sortuda, honrada, bafejada pelo amor!

Welcome my baby girl!!!

A Francisca já se adaptou à casa e já é tudo dela, já "marcou" o seu território e o apartamento cheira a bebé. Há quase 10 dias começou a preocupar o papá e a mamã porque nãao ganhava peso. Quase 3 semanas e o mesmo peso do nascimento: 2, 710 Kg. A pediatra quis vê-la 3 dias depois. Tinha 2,690 Kg... Deu-nos alguns truques para ela não ser tão preguiçosa a mamar e dois dias depois tínhamos de voltar a pesá-la. Outros dois dias e uma mastite depois, tinha menos peso, 2,680 Kg. Toca a dar  uma pequena ajuda com suplemento. Mais dois dias e estávamos a pesá-la novamente: 2,660 Kg. Já tinha 50 cm mas nada de engordar. A situação já era para alarmar. Hoje e depois de aumentar a dose de suplemento, sem nunca deixar de dar leite materno (mesmo que tenha de ser tirado com a bomba), tinha 2,820 Kg. Uf... o alívio foi grande, muito grande!


Keep on growing, wee daughter!!!

1 comentário:

  1. "o lugar ou situação em que cada um faz o que quer, onde imperam a desordem e a desorganização." Lmbro-me da minha mãe se zangar connosco e dizer, "mas vocês pensam que isto é i da Joana, ou quê???" hehehe
    E quanto à casa, aposto que não está assim tão má quanto a pintas! Nós é que temos sempre tendência para olhar para o podre da coisa e é-nos difícil perceber que se calhar não é assim tão mau...

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