quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Recortes

Quem me conhece (mesmo que me conheça superficialmente) sabe que o meu vício são... revistas femininas. Quase todas: Máxima, Glamour (Espanha. França, USA e Reino Unido), Clara (Espanha), Marie Claire (Espanha, França), Activa, Cosmopolitan (de vez em quando... para desanuviar), Easyliving (Reino Unido) e O, the Oprah Magazine (USA). Leio outras, mas estas são as favoritas. Sim, gasto bastante dinheiro com estas revistas e, em tempos de austeridade, elegi a Glamour de Espanha e a Activa como companhias certas, assim com a recém-entrada no "lote", por razões óbvias, Pais & Filhos.
Há muitos dados, muitas curiosidades, frases, emoções, nomes, impressões que ficam na memória. Fica muito pouco do texto em comparação com as imagens, com as fotos. Por descargo de consciência, de vez em quando pego num molhe de revistas e, em vez de as condenar à reciclagem, faço recortes. Recorto imagens ou textos mais marcantes (menos da minha colecção da Glamour espanhola, que guardo fielmente e que um dia destes vou vender nalguma página net de coleccionadores e ganhar uma pipa de massa, hopefully!).

Outro dia fiz recortes da Máxima e da revista Notícias Sábado (do JN). Há dois textos que merecem menção no meu blog.
Um deles é um editorial da Laura Torres (acho que é este o nome mas a assinatura é um pouco difícil de decifrar), editora da revista Máxima. Escreveu sobre a "mulher ganha-pão". Antigamente, a mulher consumia-se pelo marido, casa, filhos. Agora consome-se primeiro pelo trabalho, depois vem algum homem, marido ou não, casa e filhos, se tiver. E atenção ao dado: na Grã-Bretanha, um estudo do jornal The Sunday Times concluiu que 44% das mulheres que trabalham são "breadwinner wives" dado que ganham pelo menos a mesma quantia que os maridos/ companheiros. E, atenção, 19% leva para casa mais dinheiro do que eles! A notícia podem lê-la melhor neste link: http://women.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/women/article7009727.ece
E nos EUA (dados de 2007) 22% dos maridos tinham salários mais baixos que as respectivas!
E em Portugal? No link http://www.pordata.pt/azap_runtime/?n=4 podemos ter uma imagem do que se passa por cá, mas só em termos de ganhos médios por sexo e de 2008.
Não concordo com o que diz a Laura, que neste país a mulher que ganha mais está "tramada" devido ao orgulho machista, que insiste em pagar para mandar. Aliás, já não vejo exemplos desses nem na minha família nem nos meus amigos mais próximos, pelo contrário. Ela, em média, termina o curso mais cedo. O que significa que começa a carreira mais cedo. Os homens parecem mais relaxados sabendo que a mulher ganha tanto ou mais que eles. Não os afecta minimamente e, no que diz respeito ao orgulho de macho, parece que agora a moda é: "pois, a minha namorada é que está bem e ganha x, 'ganda' mulher, quer uma carteira, vai lá e compra, não anda a pedinchar", ou "a minha filha está muito bem na empresa, o chefe está sempre a dar-lhe incentivos, outro dia comprou um carrinho todo jeitoso, bla bla", ou "a minha mulher traz para casa mais que eu e ainda bem pá, de qualquer forma era ela quem fazia a gestão da guita pá!".



O outro "recorte" que fiz foi de um artigo de opinião do Joel Neto, na revista Noticias Sábado, do JN.
O artigo intitula-se "Está tudo errado connosco" e confesso que me fez humedecer os olhinhos. Podem ler o artigo em http://www.joelneto.com/24559.html. É sobre a iminência de um divórcio e as exigências que uma mulher faz ao seu futuro ex-marido sem esperança que ele ceda. O homem tem saudades, dá-lhe um aperto no peito cada vez que leva a filha a casa depois de partilhar um fim-de-semana com ela. Por ele, as coisas tinham continuado como estavam mas a mulher já não sentia emoção. Nem ele, mas não era coisa com que se importásse muito. A vida corria tranquila, o sossego e ter companhia ao chegar a casa bastava-lhe. Mas a mulher queria acção, romance, loucura, arrebato, queria que ele não trabalhásse tanto, queria desejo. E ele só queria estar tranquilo e ter com quem dormir abraçado até de manhã. Não chegava. E não chega!
Não creio que se trate de mote de revolução sexual por parte da mulher. Trata-se de pele com pele, toque, calor. Não acredito que ela quisesse arrebato e loucura todos os dias, com certeza fartava-se. Só estava com um pouco de saudades e talvez quisesse sentir-se desejada, simplesmente, de vez em quando. Mas o simples tornou-se complicado para este casal.
Há muitos casais assim, é típico! Um dos membros do casal não consegue fazer um esforcinho para dar mais "pica" à relação estagnada, perante o desespero do outro membro que exige continuamente provas, que exige a emoção do início da relação. Um dos membros do casal fica a sonhar com o nervoso miudinho dos princípios do romance, o coração acelerado, a paixão bruta. E a relação esfria e vai morrendo, sem que nenhum dos dois ceda. Um deles podia estar mais atento, dar mais de si, OUVIR mais o outro, surpreender o outro. E o outro podia valorizar mais o que tem e procurar dar "pica " à relação através de métodos subtis, sem exigências e lamentos, viver mais intensamente os momentos bons. Ser um casal feliz dá muito trabalho! Mais do que alguma vez imaginei quando comecei a namorar, me casei. No início é tudo seda esvoaçante sob veludo intenso, nem se sente frio nem calor, nada importa, só sentir o outro. Mas mesmo depois de anos é tão bom! Ter uma mãozinha para apertar na rua, mesmo que o facto de dar a mão já não nos provoque aqueles arrepios pelo toque, como no início, dá-nos segurança. Está nas nossas mãos. Todos nos aborrecemos facilmente, não só as mulheres como no anúncio do novo axe twist. Vivamos combatendo esta debilidade humana, sem deixar esta luta só nas mãos das mulheres, como é tendência dos homens. Já sei que somos mais perspicazes, mas não é desculpa.

Sem comentários:

Enviar um comentário